Ozonioterapia, o uso do ozônio na medicina.

 

A aplicação do uso médico do ozônio está, entre as terapias bioxidativas, como a mais promissora pelo seu baixo custo de investimento e manutenção, facilidade de aplicação e resultados clínicos. Descoberto no séc. XIX, ele tem sua aplicação com eficácia clínica comprovada desde a 1a. Guerra Mundial. Desenvolveu-se na Alemanha e países europeus sendo que seu grande avanço de utilização foi na Rússia e em Cuba. Recentes avanços nos estudos da intimidade bioquímica, imunológica e microbiológica colocam este recurso como uma importante alternativa em uma série de condições clínicas como úlceras, patologias oftalmológicas neuro-vasculares, infecções virais, bacterianas e fúngicas, doenças vasculares, articulares, digestivas e imunológicas.

Sua utilização é reconhecida na Alemanha e em outros países europeus. Cuba conta com 35 Centros Clínicos de Ozonioterapia e na Rússia é utilizada em todos os Hospitais Governamentais. É um recurso terapêutico que em muito contribuiria para a melhora da qualidade de vida, e resolução clínica de um grande número de pacientes do SUS atingidos por estas úlceras e outras patologias.

Na área da Odontologia sua aplicação está hoje já reconhecida internacionalmente. Sua utilização abrange grande aplicação no tratamento de 80% dos pacientes portadores dos tipos de cáries tratadas com sucesso por este método, rápido, seguro, de baixo custo, e principalmente indolor. Sua aplicação em saúde pública é uma excelente alternativa para atender uma demanda altamente reprimida e principalmente nos programas de prevenção e tratamento precoce de cáries em crianças e adolescentes.

O que é o Ozônio?
O Ozônio é o gás mais importante da estratosfera. Suas concentrações máximas ocorrem entre 20 e 30 mil quilômetros da superfície da Terra. O ozônio (O3) é uma molécula instável formada pela adição de um terceiro átomo à molécula de oxigênio (O2), que a torna muito mais ativa do ponto de vista bioxidativo na sua ação biológica.

Na natureza, o ozônio pode ser gerado espontaneamente em tempestades com tormentas elétricas, e também em fumaças onde várias substâncias que sob ação da luz ultravioleta reagem com oxigênio e formam o ozônio, especialmente compostos nitrogenados. Como conseqüência dessas reações o ozônio pode estar presente entre os gases poluentes e pelo fato de ser um gás de fácil mensuração, ele é considerado um indicador de poluição. Assim sendo, as pessoas erroneamente imaginam que o ozônio seja a causa da poluição, quando na verdade pode apenas estar presente entre os gases poluidores.

Embora o ozônio inalado seja agressivo aos alvéolos pulmonares, outras formas de administração têm sido demonstradas serem de alto valor terapêutico ao longo de mais de um século de utilização. Recentes pesquisas demonstraram que o ozônio é produzido no corpo humano a partir da ativação do anticorpo e atua no processo de destruição de bactérias, contribuindo para o sistema de defesa imunológica do organismo.


Ozônio, descoberta, domínio e aplicações
O ozônio foi descoberto em 1840 por Schönbein pela observação de um odor característico quando oxigênio era submetido a uma descarga elétrica, e pela freqüência sistemática que isto ocorria, sendo inicialmente chamado de oxigênio ozonizado. Em 1857, Werner von Siemens desenvolveu o primeiro gerador de ozônio, e através da utilização deste equipamento Kleinmann conduziu seus primeiros estudos sobre a ação deste composto em bactérias e germes, e depois em mucosas de animais e humanos. Após praticamente 100 anos Hänsler desenvolveu seu primeiro equipamento médico com dosagens precisas da mistura de oxigênio e ozônio abrindo então um grande espectro de aplicações terapêuticas.

Na década de 60, face ao aumento da poluição das águas por substâncias químicas e biogermes (vírus, bactérias e fungos) as propriedades desinfetantes do ozônio voltaram a ser consideradas, e a utilização do ozônio passou a ser incluída no processo de tratamento das mesmas, tornando-o o mais importante agente de limpeza e desinfecção das águas por sua capacidade de destruir TODAS as bactérias e vírus presentes nas águas poluídas. Este processo passou a ser utilizado em grandes cidades na Europa, América e Ásia, como Moscou, Montreal, Los Angeles, Singapura, Helsinki, Bruxelas e em mais de 700 locais na França. Muitas indústrias também incorporaram esta técnica com grande reaproveitamento e economia da água utilizada em seus processos industriais, como é o caso da Rhodia em Santo André, que passou a economizar 70% da água após a instalação do equipamento de ozônio no processo de tratamento da água, purificando-a de dejetos industriais.

Atualmente o ozônio está incorporado em muitas industrias alimentícias para desinfecção dos produtos pré-peparados para consumo na fase final de embalagem.


O histórico do uso médico do Ozônio
Erwin Payr, importante cirurgião austríaco, professor em Leipzig, experienciou o tratamento com ozônio por seu dentista, E. A Fisch, e em 1935 apresentou uma publicação de 290 páginas intitulada "O tratamento com ozônio na cirurgia". E este foi o inicio da ozonioterapia que conhecemos hoje. A ausência de materiais adequados, resistentes à oxidação - como plásticos para aplicação local de ozônio em feridas, ou insuflação retal do gás - tornava sua utilização complicada, razão pela qual foi durante um tempo esquecida.

Hans Wolff dedicou sua vida à pesquisa e aplicação do ozônio e em 1979, um ano antes de sua morte, publicou seu livro "Medicina do Ozônio" onde apresenta sua pesquisa e prática médica do uso do ozônio. Ele fundou a Sociedade Médica de Ozônio, posteriormente renomeada Sociedade Médica para Aplicação Preventiva e Terapêutica do Ozônio.

Particularmente o conhecimento da aplicação médica do ozônio se difundiu pela Europa, como na Suíça, Áustria, Itália, Espanha e ganhou grande aderência nos países do leste europeu, particularmente na Rússia. Pelo estreito contato tecnológico com a Rússia, Cuba passou a desenvolver também sua experiência com o uso do ozônio, e hoje detém a maior experiência em sistema público de saúde com 35 Centros Clínicos de Ozonioterapia, além de unidades hospitalares e o maior centro de pesquisa básica e ensaios biológicos de ozônio. Hoje também o ozônio está sendo desenvolvido em outros países, como no Canadá, México, e alguns Estados Norte-Americanos e paises da Ásia como China, Malásia e Korea.


Uso Médico Atual do Ozônio
Com o desenvolvimento da pesquisa básica e, especialmente, a partir do conhecimento dos efeitos do ozônio no sistema imunológico e sistemas de oxidação e antioxidação celulares no metabolismo de hemoglobinas, a ozonioterapia passou de uma fase empírica de observação de seus resultados clínicos, cuja informação científica foi baseada em formatos de casuística, para uma formatação científica de melhor reconhecimento.

Da mesma forma como outras drogas, estamos lidando com uma substância farmacêutica com molécula claramente definida. Portanto, temos também um leque de indicações claramente definidas.
O uso do ozônio se faz através de uma mistura de oxigênio e ozônio, da ordem de 95-99,5% de oxigênio para 5-0,5% de ozônio, o que gera uma concentração da ordem de 1 a 100 microgramas/ ml.(µg/mL). É fundamental que existam equipamentos que atendam a estes parâmetros de disponibilidade.

Diferente de outros produtos farmacêuticos o ozônio necessita ser preparado próximo ao local de sua utilização por seu limite de estabilidade, ou seja, ele volta a ser oxigênio em curto espaço de tempo.


Geradores de Ozônio


acesse :     ozonic_medic1.jpg (90688 bytes)wpe1.jpg (44947 bytes)


As fontes de energia utilizadas para os geradores de ozônio são as instalações elétricas comuns residenciais, de 110 e 220V.